sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Jo 4, 13-15

"Respondeu-lhe Jesus: Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede,
 mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. 
E água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna.
A mulher suplicou: Senhor, dá-me desta água, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá-la!"
(Jo 4, 13-15)
 

Sou

Sou esta manhã de céu alaranjado,
o sol morno que insiste em se levantar,

o cheiro de terra molhada desta rua,
o firmamento, a noite e a Lua.

Sou uma palavra que ampara,
uma frase que se grava, uma oração,
sou a paz deste dia, a mansidão,
sou a brisa que passa e sopra,
leva seus medos, alivia a alma,
sou o que te acalma...

Sinta-me!
Sou o que pede abrigo no seu peito,
o que vela por você, e até sem jeito,
espera que venha me receber,
pois estou a porta e bato,
preocupo-me com você,
isso é fato.

Sou aquele que se alegra com a sua alegria,
que se emociona com suas conquistas,
que se entristece com suas decepções,
o que apoia sempre, não questiona,
indico o caminho, mas te deixo livre para escolher,
a direção é sua, eu me sento ao seu lado.

Sinta-me!
Deixe-se envolver pelo perfume no ar,
sou rosas em plenitude de cor e perfume,
sou mais que o calor da emoção, sou o amor.
Amor que derramo sobre ti,
alegria que espalho em sua alma,
sou mais que um momento,
por isso te peço, tenha calma.
Sou teu amigo, estou aqui
sinta-me então, pois sou esta Luz,
Eu sou Jesus.

Eu acredito em você.


(Desconheço a autoria,
se você souber, por favor me avise)

Esta Gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um País liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

O BEIJO


Guardo teu beijo, terno beijo, na lembrança.
No outono cinza, a despedida, último adeus,
como se foras, como foste, para sempre.
Amargurando o teu partir, fiquei com o beijo.
Quantos outonos se passaram desde então!
E aquele beijo... nem as folhas esqueceram,
no farfalhar, de relembrá-lo nas canções
brincando algures junto às brisas outonais.
Alma constrita, olhos perdidos no horizonte,
dou-me ao letargo dos impulsos lascivosos,
sozinho, ansiando o teu regresso, envolto em sonho.
Trago a utopia de uma espera que me vence;
sei que me entrego devagar ao meu destino,
mas na esperança da emoção de um novo beijo!
(Antonio Kleber)

Isto é virtual ? Rosa Pena


Entro apressada e com muita fome na confeitaria.
 Escolho uma mesa bem afastada do movimento, 
pois quero aproveitar a folga para comer e passar um e-mail urgente para meu editor.
Peço uma porção de fritas, um sanduíche de rosbife e um suco de laranja.
Abro o laptop.
Levo um susto com aquela voz baixinha atrás de mim.
— Tia, dá um trocado?
— Não tenho, menino.
— Só uma moedinha para comprar um pão.
— Está bem, compro um para você.
Minha caixa de entrada está lotada de e-mails. Fico distraída vendo as poesias, as formatações lindas.

 Ah! Essa música me leva a Londres.
— Tia, pede para colocar margarina e queijo também.
Percebo que o menino tinha ficado ali.
— Ok, vou pedir, mas depois me deixa trabalhar. Estou ocupadíssima.
Chega minha refeição e junto com ela meu constrangimento.
Faço o pedido do guri, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto “ir à luta”. 

Meus resquícios de consciência me impedem de dizer sim.
Digo que está tudo bem, que o deixe ficar e traga o pedido do menino.
— Tia, você tem internet?
— Tenho sim, essencial ao mundo de hoje.
— O que é internet?
— É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar. Tem de tudo no mundo virtual.
— E o que é virtual?
Resolvo dar uma explicação simplificada, na certeza de que ele pouco vai entender 

e vai me liberar para comer minha deliciosa refeição, sem culpas.
— Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer, criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que ele fosse.
— Legal isso. Adoro!
— Menino, você entendeu o que é virtual?
— Sim, também vivo neste mundo virtual.
— Nossa! Você tem computador?
— Não, mas meu mundo também é desse jeito...virtual.
Minha mãe trabalha, fica o dia todo fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que chora de fome e eu dou água para ele imaginar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas não entendo pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo, mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos, ceia de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia.
Isso é virtual, não é tia?
http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/30863

ps: Esta crônica consta de meu livro preTextos, editora all print.Registrada na biblioteca nacional desde junho de 2003,circula na net com autoria desconhecida.
Rosa Pena
Publicada anteriormente em: 21/11/04 • Leituras: 2793 • Comentários:84
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OBS: Deixei a data em que foi publicada esta crônica no site Recanto e o ps que eu já tinha posto. Ela está em 12 sites desde março de 2004, em 2 livros impressos no papel ( Razão e PreTextos), no meu e-book Eu & a net, tem versão em pps, tem publicação em 4 revistas reais.Isto é um desabafo, pois continua vagando na net com autoria desconhecida, e tendo o título adulterado ( o título mais famoso que inventaram é Mundo Virtual).Utopia minha, mas sempre sonharei com um mundo mais justo, onde filhos possuem pais e prosas & poesias... Autorias.
Obrigada a quem divulgar
Rosa Pena

Quem dobrou seu paraquedas hoje?




Charles Plumb, era piloto de um bombardeiro na guerra do Vietnã. Depois de muitas missões de combate, seu avião foi derrubado por um míssil. Plumb saltou de pára-quedas, foi capturado e passou seis anos numa prisão norte-vietnamita. Ao retornar aos Estados Unidos, passou a dar palestras relatando sua odisséia e o que aprendera na prisão. Certo dia, num restaurante, foi saudado por um homem:
— Olá, você é Charles Plumb, era piloto no Vietnã e foi derrubado, não é mesmo?
— Sim, como sabe?, perguntou Plumb.
— Era eu quem dobrava o seu pára-quedas. Parece que funcionou bem, não é verdade?”
Plumb quase se afogou de surpresa e com muita gratidão respondeu:
— Claro que funcionou, caso contrário eu não estaria aqui hoje.”
Ao ficar sozinho naquela noite, Plumb não conseguia dormir, pensando e perguntando-se:
Quantas vezes vi esse homem no porta-aviões e nunca lhe disse Bom Dia? Eu era um piloto arrogante e ele um simples marinheiro.
Pensou também nas horas que o marinheiro passou humildemente no barco enrolando os fios de seda de vários pára-quedas, tendo em suas mãos a vida de alguém que não conhecia.
Agora, Plumb inicia suas palestras perguntando à sua platéia:
— Quem dobrou seu pára-quedas hoje?
Todos temos alguém cujo trabalho é importante para que possamos seguir adiante. Precisamos de muitos pára-quedas durante o dia: um físico, um emocional, um mental e até um espiritual.
Às vezes, nos desafios que a vida nos apresenta diariamente, perdemos de vista o que é verdadeiramente importante e as pessoas que nos salvam no momento oportuno sem que lhes tenhamos pedido.
Deixamos de saudar, de agradecer, de felicitar alguém, ou ainda simplesmente de dizer algo amável.
Que tal a partir de hoje procurarmos dar conta de quem prepara nosso pára-quedas de cada dia e agradecer-lhe???
Mesmo que não tenhamos as melhores palavras, algo de importante a dizer, é conveniente, salutar e primordial, ao menos dizermos BOM DIA, Obrigado por este sorriso, Obrigado por este café, por este momento…. etc etc etc…
Com certeza, se todos nós, a cada momento, nos preocuparmos com os pára-quedas dos próximos, TODOS lucraremos. Todos precisamos uns dos outros…
Às vezes as coisas mais importantes da vida dependem apenas de ações simples. Só um telefonema, um sorriso, um agradecimento, um singelo OBRIGADO.

Ser Feliz


Ser feliz não é ter uma vida perfeita. 
Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. 
Usar as perdas para refinar a paciência. 
Usar as falhas para esculpir a serenidade. 
Usar a dor para lapidar o prazer. 
Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência."
 (Augusto Cury)