sexta-feira, 8 de março de 2013

Obrigado mulher (Por: Papa João Paulo II)

 Obrigado a ti, mulher‑mãe,
que, te fazes ventre na alegria
e no sofrimento de uma experiência única;
que te tornas o sorriso de Deus
pela criatura que é dada à luz;
que te fazes guia dos seus primeiros passos,
amparo do seu crescimento,
ponto de referência por todo o caminho da vida.

Obrigado a ti, mulher‑esposa,
que unes irrevogavelmente
o teu destino ao de um homem,
numa relação de recíproco dom,
a serviço da comunhão da vida.

Obrigado a ti, mulher‑filha e mulher‑irmã,
que levas ao núcleo familiar e à vida social
a tua sensibilidade, intuição, generosidade e constância.

Obrigado a ti, mulher‑trabalhadora,
empenhada na vida social, econômica,
artística e política,
pela contribuição indispensável
que dás à elaboração de uma
cultura capaz de conjugar razão e sentimento
e a uma concepção da vida sempre
aberta ao sentido do "mistério".

Obrigado a ti, mulher‑consagrada,
que, a exemplo da maior de todas as mulheres,
a mãe de Cristo, te abres com docilidade
e fidelidade ao amor de Deus, ajudando
a Igreja e a humanidade inteira
a viver para com Deus uma resposta "esponsal",
que exprime a comunhão
que Ele quer estabelecer com sua criatura.

Obrigado a ti, mulher,
pelo simples fato de seres mulher!
Com a percepção que é
própria da tua feminilidade,
enriqueces a compreensão do mundo e contribuis
para a verdade plena das relações humanas.

Oração Extraída da carta do Papa João Paulo II às mulheres,
Vaticano, 29 de Junho de 1995, 

solenidade dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo.1995.

Humilhada, Repudiada, Ferida

Humilhada, repudiada, ferida.
Mulher ser de luz
Que dá a vida a seus filhos
Mulher de amor
Carinho Puro
Humilhada, repudiada, ferida.
Mulher que ama,
Mulher que luta por sua casa
Mulher guerreira
Mulher valente
Humilhada, repudiada, ferida.
Mulher que  é Maria
Mulher que é Solange
Mulher que é Sara
Mulher de todas as pátrias
Mulher de todas as lutas
Humilhada, repudiada, ferida
Até quando, como e  onde?
 SP/BR - 04-12-03
(Ciranda da violência contra a Mulher)

quarta-feira, 6 de março de 2013

Brilho do teu olhar


Eu brilhava
através do brilho do teu olhar
que iluminava
meu caminho.
Jamais poderia imaginar
que um dia desfeito
seria o nosso ninho.
Momentos atônitos, silêncio...
Impossível entender aquele momento
Não conseguia segurar tua mão
E nem encontrei alento...
Acendi todas as luzes,
só encontrei escuridão...
O brilho do teu olhar
Já não consegui encontrar
A rosa branca, murchou
Os sinos não tilintam mais
no meu coração
depois que a porta dele se fechou.
(Sila Maria Oliveira de Souza)
Uma homenagem a minha amiga poetisa Sila Maria

Jardim da Vida


Muito além daquele jardim,
nossas almas se encontraram.
Trocaram juras de amor,
palavras soltas ao vento,
que no tempo se dissiparam.

Onde estás amor,
que nos meus sonhos revejo
jardinando além da vida,
perfumando minha saudade,
e tão distante dos meus desejos!

Mônica Amélia
Maceió/Al

VAIDADE


Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...
E não sou nada! ...
(Florbela Espanca)

Perdoa-me, folha seca

      Perdoa-me, folha seca,
      não posso cuidar de ti.
      Vim para amar neste mundo,
      e até do amor me perdi.
      De que serviu tecer flores
      pelas areias do chão,
      se havia gente dormindo
      sobre o próprio coração?
      E não pude levantá-la!
      Choro pelo que não fiz.
      E pela minha fraqueza
      é que sou triste e infeliz.
      Perdoa-me, folha seca!
      Meus olhos sem força estão
      velando e rogando aqueles
      que não se levantarão...
      Tu és a folha de outono
      voante pelo jardim.
      Deixo-te a minha saudade
      - a melhor parte de mim.
      Certa de que tudo é vão.
      Que tudo é menos que o vento,
      menos que as folhas do chão...
      (Cecília Meireles)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sentar-se à janela do Avião


Era criança quando, pela primeira vez, entrei em um avião.
A ansiedade de voar era enorme.
Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, 
acompanhar o vôo desde o primeiro momento 
e sentir o avião correndo na pista cada vez mais rápido 
até a decolagem.
Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens,

chegando ao céu azul.
Tudo era novidade e fantasia..
Cresci, me formei, e comecei a trabalhar.
No meu trabalho, desde o início, voar era uma necessidade constante.
As reuniões em outras cidades e a correria me obrigavam, às vezes,
a estar em dois lugares num mesmo dia.
No início pedia sempre poltronas ao lado da janela, 

e, ainda com olhos de menino, 
fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de esperar 
um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa etal.
O tempo foi passando, a correria aumentando, 

e já não fazia questão de me sentar à janela, 
nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, 
o mar ou qualquer paisagem que fosse. Perdi o encanto. 
Pensava somente em chegar e sair, 
me acomodar rápido e sair rápido.
As poltronas do corredor agora eram exigência. 

Mais fáceis para sair sem ter que esperar ninguém, 
sempre e sempre preocupado com a hora, com o compromisso, 
com tudo, menos com a viagem, com a paisagem,comigo mesmo.
Por um desses maravilhosos 'acasos' do destino, 

estava eu louco para voltar de São Paulo numa tarde chuvosa, 
precisando chegar em Curitiba o mais rápido possível.
O vôo estava lotado e o único lugar disponível 
era uma janela, na última poltrona.
Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para o embarque.
Embarquei no avião, me acomodei na poltrona indicada: a janela.
Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me preocupava em olhar.
E, num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez que voara.
Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga.
Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, 
tendo passado pela chuva, apareceu o céu.
Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto.
E também o sol, que brilhava como se tivesse acabado de nascer.
Naquele instante, em que voltei a ser criança, 
percebi que estava deixando de viver um pouco a cada viagem 
em que desprezava aquela vista.
Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha vida 
eu também não havia deixado de me sentar à janela, 
como, por exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, 
do meu casamento, do meu trabalho e convívio pessoal?
Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, 
deixamos de olhar pela janela da nossa vida.
A vida também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, 
perdemos o que há de melhor:
as paisagens, que são nossos amores, alegrias, tristezas, 
enfim, tudo o que nos mantém vivos.
Se viajarmos somente na poltrona do corredor, 

com pressa de chegar, sabe-se lá aonde,
 perderemos a oportunidade de apreciar as belezas 
que a viagem nos oferece.
Se você também está num ritmo acelerado, 

pedindo sempre poltronas do corredor,
para embarcar e desembarcar rápido e 'ganhar tempo',
pare um pouco e reflita sobre aonde você quer chegar.
A aeronave da nossa existência voa célere
e a duração da viagem não é anunciada pelo comandante.
Não sabemos quanto tempo ainda nos resta.
Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela 
para não perder nenhum detalhe.
Afinal, 'a vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos'.
(Alexandre Garcia)

Amei este texto. Eu amo sentar-me ao lado da janela...
Uma boa reflexão